O Brasil possui muitas figuras artísticas que se destacam por suas canções, melodias e letras. Mas nenhuma iluminou mais os palcos do mundo devido a sua performance e estilo ousado e inspirador que Ney Matogrosso. Por isso, hoje, vamos mostrar um pouco a trajetória deste ilustre cantor brasileiro.

Ney Matogrosso, a vida antes da carreira:

Ney de Souza Pereira, mais conhecido como Ney Matogrosso, nasceu no dia 1 de agosto de 1941 na cidade de Bela Vista no Matogrosso do Sul, município que faz fronteira com Paraguai. Ainda pequeno, ele já demonstrava traços artísticos, além disso, era um verdadeiro questionador do universo adulto, inconformado com os preconceitos e incoerências que vivenciava. Viveu sua infância e adolescência marcadas pela solidão, boa parte por gostar de passar hora caminhando no meio da mata.

Vindo de pai militar, ele chegou a morar em diversas regiões com a família até completar dezessete anos, foi então, que saiu da casa dos seus pais para entrar na Aeronáutica. Mesmo seguindo este caminho, o músico ainda tinha sérias dúvidas em relação ao futuro. Chegou a trabalhar no laboratório de anatomia patológica do Hospital de Base de Brasília.

Após um período, Ney foi convidado a participar de um festival universitário, onde formou um quarteto vocal. Após este festival, chegou a atuar em um programa de TV, pegando apreço pela profissão, decidiu seguir a carreira como ator, foi então que, em 1966, desembarcou no Rio de Janeiro, passando a sobreviver da confecção e venda de peças artesanais em couro, adotando o movimento hippie de viver.

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O início do sucesso:

Nesta época, o cantor viveu viajando entre a cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília até conhecer o produtor musical, João Ricardo. Foi assim que, em 1973, Ney Matogrosso foi convidado a ingressar no grupo Secos & Molhados, chegou a gravar dois discos, lançados pela extinta gravadora, Continental. Os discos obtiveram sucesso, conquistando muitos fãs. No ano seguinte, ele saiu do conjunto e lançou seu primeiro álbum solo, Água do Céu – Pássaros, contudo o disco foi considerado extravagante demais para aquela época. Conquistou o reconhecimento no ano de 1976 com o álbum Bandido. Assim, nos anos seguintes, foi lançando novos discos e conquistando ainda mais espaço no cenário musical.

Década de 80:

Ney Matogrosso, encerrou o fim dos anos 70 e início os anos 80 totalmente transgressor, recebendo diversas ameaças pelo regime militar. Neste período, ele chegou a lançar alguns dos seus maiores sucessos.

Ele se tornou ainda mais conhecido devido as apresentações se estilos ousados. Foi considerado um dos precursores da androginia, desenvolvida, inicialmente pelo movimento tropicalista. Demonstrava coreografias erotizantes, expondo sua masculinidade, enfrentando o período ditador que o país vivia.

Ao longo da década de 80, ele chegou a gravar diversos discos, aumentando ainda mais o sucesso, até que, em 1987, seu LP “Bugre”, foi relativamente um fracasso, fazendo com que o músico entrasse em uma nova fase. Abandonando as fantasias e maquiagem, o disco “Pescador de Pérolas” mostra uma faceta mais madura.

Anos seguintes e novos projetos:

Os anos 90 foram marcados pelos projetos inusitados. Dessa forma, ele passou a gravar LPs em parceria com outros artistas. Além disso, homenageou muitos cantores, dedicando discos a grandes nomes como Cartola e Chico Buarque. Em 2004, Ney participou do projeto Vagabunda ao lado do grupo carioca Pedro Luís e a Parede, originando um espetáculo homônimo e um álbum ao vivo.

Em janeiro de 2011, ele lançou um registro ao vivo, em forma de CD e DVD, da turnê homônima e participou do curta-metragem Fica Carla, como o médico Dr. Virgílio. Este filme é baseado na história de Francisca Carla, uma empregada doméstica, vítima de hanseníase. No ano seguinte, ele participou do filme Gosto de Fel, de Beto Besant e lançou o documentário Olho Nu, em um autorretrato em terceira pessoa que atravessa a carreira do cantor e reúne um rico acervo audiovisual.

Em 2015, Ney Matogrosso, ganhou o 26º Prêmio da Música Brasileira nas categorias de Melhor Cantor Pop/rock/reggae/hip-hop/funk e Melhor Álbum do mesmo gênero.

Além dos projetos e shows, Ney mantém, no Rio, uma área de preservação ambiental para a espécie ameaçada em extinção, mico-leão-dourado, mostrando seu lado preocupado com o mundo e com o meio ambiente.

Vídeo: Roendo as Unhas do álbum Atento aos Sinais

E aí o que achou da história dessa figura da música que conquistou o Brasil? Comente, curta e compartilhe com seus amigos!



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